Museu Reina Sofia : Imperdível!

Conheça um dos museus de arte mais extraordinários da Espanha


Museu Reina Sofia Foto: Camila Castanheira

Conhecer museus é uma das minhas atividades preferidas quando viajo. Tenho comigo que uma imersão cultural nas obras dos artistas locais expõem verdades e fatos que agregam muito o entendimento sobre o lugar que visito. Senti isso fortemente quando conheci o Museu Reina Sofia , em Madri. Grandes nomes nacionais enchem os corredores desse museu de arte moderna de cores, emoções e cenas que extrapolam o próprio cotidiano.

Desde Picasso à Miró, passando por Dalí, são tantas obras e tantos autores que fica difícil ver tudo em apenas um dia! Lá podemos ver as impressões dos artistas sobre guerras e períodos históricos expressos em pinturas ou esculturas. Se em um dia não é possível observar e absorver tudo, imagine então tentar explicar em um post!  Este museu é uma verdadeira imersão na história contemporânea da Espanha e merece uma visita estruturada, mesmo que você não fale espanhol. Escolhi algumas obras importantes que me impressionaram e vou falar para vocês o porquê.

Os lindos corredores do museu Foto: Camila Castanheira

Museu Reina Sofia : Arte e História

Vou começar este tour pelo museu falando de uma das obras de arte moderna mais intensas e intrigantes que já vi: Guernica. Esta arte de Picasso foi feita após a cidade, que leva o mesmo nome da obra, ser duramente bombardeada pelos alemães durante a Guerra Civil Espanhola, em 1937. A cidade foi quase que completamente destruída por um bombardeio aéreo comandado pelos alemães e Picasso transmite nesta pintura, de um jeito único, o desespero das crianças, adultos e animais atingidos pela guerra. Fiquei por um bom tempo tentando entender os fatos pelos olhar do artista e confesso que fiquei mexida com tanta sensibilidade.

Alguns estudos entendem que Picasso se identificava com dois símbolos presentes na obra: o cavalo e o touro, pois representavam a força bruta de sua personalidade. Fiquei me perguntando se seria isso uma maneira dele se “colocar” dentro da obra.  Além desses elementos, é possível identificar um homem em pose de súplica, como que pedindo para que os aviões parassem com aquela atrocidade. Outro detalhe interessante é que quando se observa a obra de longe, é possível enxergar o formato de uma caveira na junção de todos os elementos visuais que estão no quadro, como se fosse a morte da identidade espanhola. Pesado, não é?

Reina Sofia
Guernica – Picasso, 1937 Foto: Museu Reina Sofia

Outro artista que adorei desbravar no Reina Sofia foi Dalí. O artista extrapolava os limites da imaginação, trazendo muitos elementos de sua infância e códigos pessoais para seus quadros. Na peça O Grande Masturbador, ele une este traços infantis a sua vida adulta, expressando suas emoções e desejos sexuais.

 

Reina Sofia - Dali
O grande masturbador, 1929 – Dali Foto: Museu Reina Sofia

No entanto, conforme o tempo foi avançando, Dalí começou a se interessar mais pelo misticismo religioso, especialmente depois de sua visita ao Papa Juan XXIII em 1959. Uma obra que marcou essa transformação foi O descobrimento da América  por Cristóvão Colombo, cujo estilo se assemelha ao de seu ídolo, Velázquez.

E, por falar em Velázquez, esse importante pintor espanhol que trabalhava para a Corte espanhola no século XVII retratando os integrantes da Família Real,  inspirou muitos artistas ao longo da história. Inclusive Dalí e Picasso. A sua obra mais famosa, As Meninas (que está no Museu do Prado em Madri), foi retratada por ambos de diferentes maneiras.  Picasso desenvolveu uma sequência de 58 pinturas inspirados nesta obra (estão no Museu Picasso em Barcelona) e Dalí desenvolveu outra rica obra, exposta grandiosamente no Reina Sofia.

Veja abaixo o quadro de Velázquez e Dalí!  Até hoje críticos renomados não chegaram a um acordo sobre quem de fato é o foco da obra de Velázquez: se é o rei e a rainha, visíveis no espelho; se a infanta Margarida, que posa ao lado de suas babás (a menina loirinha); ou se é o próprio Velázquez, que aparece pintando a cena, à esquerda da princesa. Outra hipótese também é que não importa o foco, e sim a pintura de acordo como você vê.

Outro artista que me chama muito a atenção e é apreciado com abundância no museu é Miró. Um criador plural, que fazia de tudo: gravuras, esculturas, cerâmicas e, claramente, pinturas também. A obra Caracol, mujer, flor, estrella,  pintada  por ele em 1934, demonstra o sofrimento e a angústia que passava seu país naquele momento, por conta da Crise de 1929 e de disputas políticas internas. A deformação dos símbolos, as tonalidades em marrom e vermelho e a confusão apresentada entre os elementos que na obra se encontram, também visaram captar o estado pré-guerra que desencadeou a Guerra Civil Espanhola, em 1937, a mesma que passou Picasso quando pintou Guernica. Enquanto antes havia cores fortes e alegres, agora havia quadros mais dramáticos, com linhas em deformidade, contrapondo formas que antes apareciam em sintonia.

Museu Reina Sofia
Caracol, mujer, flor, estrella por Dali, 1934 Foto: Reina Sofia

Por fim, o que quero dizer com isso tudo é que a realidade para estes criadores era complexa demais para ser apenas escrita em livros e relatos. Era preciso mais. As imagens e estilos que encontramos nos museus transbordam a emoção que os artistas queriam transmitir por aquilo que eles passavam e viviam. Visitar o Reina Sofia, por isso, é mais do que um aprendizado sobre a cultura espanhola, é uma conversa íntima com essa identidade.

Não deixem de ir! O museu fica muito próximo ao Parque do Retiro e à estação Atocha, outros dois lugares imperdíveis de Madri. E não esqueçam de visitar a monumental biblioteca de arte do museu com mais de cem mil livros e documentos. É de arrepiar!

 

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